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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Séries de que eu gosto (11) - Paul Temple (2)

A minha colecção

Na minha colecção possuo 42 histórias desta série, faltando poucas das que foram publicadas em Portugal

Dupla missão, Policial número 31
Um caso de contrabando, Policial número 38
O bombeiro fantasma, Policial número 52

Vinhetas de O bombeiro fantasma
O bando das bombas de gás, Policial número 63
O malfeitor de Penruan, Selecções número 96
O caso do elemento X, Selecções número 100
O filho do cheque, Selecções número 109
O carregamento mortífero, Selecções número 117
Os diários de Fortesque, Selecções número 127
Os bombistas de Nevastria, Selecções número 135
O caso do tigre cansado, Selecções número 140
Caçada humana, Selecções número 151

Vinheta de Caçada Humana
O grande golpe, Ciclone número 286

O pequenissimo formato da colecção Ciclone na história O grande golpe

Contrabando de armas, Ciclone número 299
O caso Cordwell, Ciclone número 363
Desapareceu uma estrela, Ciclone número 371
Os gémeos, Ciclone número 382
O circulo de Hecate, Ciclone número 389
O caso de Ann Poeters, Ciclone número 396
O caso TRX4, Ciclone número 413
Os assassinos, Ciclone número 437
O caso Thália, Ciclone número 445
O rei dos diamantes, Ciclone número 460
O contabilista em apuros, Ciclone número 471
Contra ofensiva, Mundo de Aventuras (1) número 1133
Os pimenteiros vermelhos, FBI número 121

Vinheta de Os pimenteiros vermelhos

Crime no estúdio, FBI número 123
A máscara desaparecida, FBI número 122
O roubo da grande jóia, FBI número 124
O caso Cabloni, Condor número 64
Conjura em Khanawada, Condor número 67
O mistério das pílulas, Mistério número 3
Operação submarina, Mundo de Aventuras (2) número 8
O júri suspeito, Mundo de Aventuras (2) número 16

Tira de O júri suspeito
O desaparecimento do prestidigitador, Mundo de Aventuras (2) número 19
O caso da loura, Lince número 5
Sempre à quinta-feira, Mundo de Aventuras (2) número 22

A tipica sensualidade feminina da BD inglesa em Sempre à quinta-feira

O segredo do túmulo, Mundo de Aventuras (2) número 24
Uma aventura em Portugal, Mundo de Aventuras (2) número 45

Uma aventura em Portugal ( no Algarve)

Os vândalos, Mundo de Aventuras (2) número 136
O cavaleiro fugitivo, Pantera negra número 1

Uma sequência gráfica interessante em O cavaleiro fugitivo
Armadilha telefónica, Mundo de Aventuras (2) número 429

Tira de Armadilha telefónica
Fontes consultadas

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Séries de que eu gosto (11) - Paul Temple (1)

Paul Temple é um escritor de livros policiais que vai investigando vários crimes, seja por acaso, a pedido de amigos, ou a até mesmo por aolicitação da polícia.


O cachimbo, marca Sherlockiana do detective inglês

É aquilo que se designa como detective amador. Nas investigações que faz participa frequentemente a sua esposa Steve.

A colaboração de Steve em A máscara desaparecida

A personagem foi criada pelo escritor Francis Durbridge no ano de 1938, em folhetins radiofónicos emitidos pela BBC.
Nesse mesmo ano iniciou-se também a publicação de novelas com Send for Paul Temple.
Em 1946 surgiu o primeiro filme, a que se seguiram mais três até 1952.
Entre 1969 e 1971 a BBC produziu para a televisão uma série com 52 episódios.
Na banda desenhada a estreia ocorreu em 19 de Novembro de 1951 no London Evening News pela mão do desenhador Alfred Sindall. Foi substituído por Bill Bailey e depois a série passou para John McNamara, que pegou na série em 1954, e foi o desenhador que mais marcou a série. Em 1 de Maio de 1971 foi publicada a última tira .

Um caso de contrabando. Uma aventura pré-McNamara

As aventuras de Paul Temple, passam-se na sua maior parte na Inglaterra, mas por vezes sai da ilha, como quando teve Uma aventura em Portugal, que foi o título com que a história foi publicada no Mundo de Aventuras número 45 (V série, mais tarde renomeada II) em 8 de Agosto de 1974.
Os desenhos de McNamara usam bem a cor negra para modelar os rostos das personagens e criar os cenários, formando um todo harmonioso. O argumento segue o padrão do policial clássico, em que o cérebro é mais importante que a força e o criminoso é conhecido no fim.
A assinatura de McNamara é visível em várias tiras, mas existem alguns episódios publicados em Portugal em que não é possível identificar o autor, embora presumivelmente a maior parte, devido ao estilo, pareça pertencer a John McNamara.
O próprio estilo de McNamara sofreu grande evolução, com o rosto da personagem a modificar-se significativamente ao longo do tempo.

Paul Temple em acção física (situação rara) em O roubo da grande jóia


Foi uma série bastante publicada em Portugal nos anos 60 e 70 do século passado, com episódios publicados em diversas revistas, Policial (Edição Mudo de Aventuras), Selecções ( edição Mundo de Aventuras), Mundo de Aventuras, Mistério, FBI, Ciclone, Condor (amarelo), Lince e Pantera Negra.
A edição mais antiga que encontrei foi na revista Policial, número 31 publicada em 5 de Abril de 1963, e a história designava-se Dupla Missão.

A moda da mini-saia surgida nos anos sessenta em O caso da loura

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Séries de que eu gosto (10) - Lester Cockney (2)

Episódios

1 – Os loucos de Kabul, Les fous de Kabul, Álbum Meribérica, Mundo de aventuras ( II série) números 500 e 503, Jornal da BD 209 a 216



Lester Cockney domando um cavalo sob o olhar do general Shannon em Os loucos de Kabul

2- O ranger da neve, La neige était crissante, Álbum Meribérica, Jornal da BD 217 a 224
3 – Uma húngara bo Penjabe, Une Hongroise au Pendjab, Álbum Meribérica, Jornal da BD 225 a 232.
4 – Quero voltar a Pecs !, Je veux retourner à Pecs! , Álbum Meribérica,
5 – O rei dos Dálmatas, Le roi des Dalmates, Álbum Meribérica,

Vinheta de O rei dos Dálmatas

6 – Os conjurados do Danúbio, Les conjurés du Danube, Álbum Meribérica,

Não editados em portugal

7 - La Déchirure
8 - Oregon Trail (a)
9 - Mise au poing (a)
(a) Estes dois álbuns forma publicados postumamente.


A juventude
1 - Irish melody
2- Shamrock song

Outros
1 – Arnold, o commando, Arnold le baroudeur, Selecções tintin nº 3, Super tintin 23 (06/12/1983) – No 49 bis – Complet ( uma pequena história de 8 páginas).


Última página de Arnold le baroudeur no Supertintin

Referências


http://br.geocities.com/bdnostagia/
http://www.bdfranz.be/franzbiblio.htm

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Séries de que eu gosto (10) - Lester Cockney (1)

A série Lester Cockney começou por se chamar Os Loucos de Kabul, sendo Lester Cockney o protagonista. Foi publicada originalmente na revista Tintin em pequenos episódios, variando entre as 5 e as 8 páginas, que depois foram aglutinados nos dois primeiros álbuns da série. A partir daí a série adquiriu o nome do protagonista.
Lester Cockney é um irlandês de Killarney que em Londres mata um militar inglês que o tinha insultado. Durante a fuga aos colegas da vítima é capturado por outros militares que o forçam a embarcar para o império Inglês do oriente como soldado. No continente asático irá servir sob as ordens do general Shannon que o protege da acusação de assassínio. Na viagem vai a irmã do oficial que ele matara, Emma Pebbleton, para um reencontro com os pais., que apesar de apaixonada por ele, ao descobrir que se trata do assassino do irmão, dispara para o matar de lágrimas nos olhos, deixando-o gravemente ferido.
A pedido de Emma, Lester irá no terceiro episódio da série libertar a amiga desta, Ilona que se encontra refém de um rajá. É neste episódio que encontra Taranna que se tornar uma personagem relevante ao longo da série.

O encontro entre Lester Cockney e Tarana

No final deste episódio Tarana, Ilona e Lester embarcam para Londres, mas Ilona decide que quer voltar Pecs, sua terra natal na Hungria, mais rapidamente, desembarcando em Adem e fazendo a viagem directamente para o Egipto. Durante este percurso, ainda perto de Adem , cruzam-se com militares portugueses.

Os portugueses depois do encontro com Lester Cockney


O rei dos Dálmatas relata parte da viagem para a Hungria na zona de fronteira do império turco, e as rebeliões que aí ocorrem contra o dominador.
Chegado à Hungria, sob dominação austríaca, Lester Cockney envolve-se imediatamente em sarilhos com os militares invasores, tendo que acabar por fugir rumo a Paris, acompanhado, claro está, pelas duas mulheres, Ilona e Tarana.

Lester Cockney e Tarana passeando em Budapeste

O sétimo episódio decorre em 1860. Inicia-se na Irlanda, passa-se na sua maior parte em Espanha e termina na Índia. Neste episódio ocorre a separação do trio com o casamento de Ilona.
Farto da Índia Lester parte acompanhado de Tarana para os Estados Unidos.
O resto da história decorre no ambiente do oeste com o protagonista da história como proprietário de um rancho.
Quanto ao último episódio, por não ter tido oportunidade de o ler, não sei qual é o assunto lá desenvolvido.
Quando a série já tinha atingido grande sucesso, Franz criou dois álbuns que relatam a infância e juventude do herói na Irlanda, onde ainda se chamava Lester Mahoney e a construção da sua personalidade na luta irlandesa pela independência do império inglês: Irish Melody e Shamrock Song.
Franz, o autor da série, usa factos históricos verídicos assim como algumas personagens reais e coloca Lester Cockney nesses contextos. Apesar do bom-humor que percorre todos os episódios, a violência não é escondida, sendo vistas imagens onde a morte violenta e a agressão são perfeitamente visíveis.

A violência em O ranger da neve

Após a morte de Franz em 2003 nenhum outro autor continuou a série.

sábado, 12 de julho de 2008

Séries de que eu gosto (7) - Tomahawk Tom

Tomahawk Tom é um cowboy da autoria de dois portugueses. A personagem nasceu da necessidade de publicar uma história do oeste no Mundo de Aventuras. As séries de oeste que chegavam dos Estados Unidos eram provenientes das tiras dos jornais diários, e, de acordo com Roussado Pinto, possuiam enredos sentimentais que não agradavam aos leitores. Estes ambicionavam uma série com mais acção.

Tomahawk Tom saltou da mesa para a aventura na página desenhada no Mundo de Aventuras em 19 de Outubro de 1950.
As três primeiras histórias tiveram argumento de Edgar Caygill, pseudónimo usado por Roussado Pinto
A personagem foi inspirada num filme do Oeste em que o actor Van Heflin surgia junto de um tomahawk cravado numa arvore.
Tomahawk Tom é um mestiço branco-índio que usa vestuário inspirado nos fatos dos batedores do exército complementado por mocassins, cinto de pele-vermelha e faca à bandoleira. Vítor Peon, como refere numa entrevista, nunca abordou o tema do racismo, embora a personagem mestiça viva numa sociedade que desprezava a mestiçagem. Esta atitude do autor enquadra-se no espirito da série. Muitos tiros, muita cavalgada, distinção clara entre bons e maus e nada de temas complexos.
Os argumentos são simples, com excepção da última história, mas agradáveis de seguir, e a sequência das imagens imprime acção aos episódios. Os desenhos são por vezes fracos, em especial a nível do fundo. A fisionomia das personagens sofre também por vezes de algum descuido.
Trata-se de um série sem pretensões de análises sociológicas ou políticas, em que as personagens não têm conflitos emocionais e se comportam sem ambiguidade: ou estão do lado dos bons ou pertencem ao grupo dos maus.

Vinheta de Começou no barbeiro


O episódio Tempestade no Dakota Sul tem uma história já mais elaborada e com desenhos mais cuidados, o que também corresponde sem dúvida a uma fase mais madura do autor.
Ao contrário de outros heróis do oeste, várias vezes Tomahawk Tom dispara a matar, sendo visível a morte das vítimas. Tem pontaria certeira disparando com as duas mãos em falhar.

Não se lhe conhece ocupação. Encontramo-lo empre a viajar, sem problemas de dinheiro.
Algumas da suas aventuras não são localizáveis geograficamente.
O enigma do cavalo negro e Tempestade no Dakota Sul , localizam a personagem na zona Norte dos Estados Unidos, mas Colt City, cidade sem lei faz referência a El Paso, o que situa a acção no Texas, junto ao México.

Página de Colt City, cidade sem lei

Em A estrela de 8 pontas faz-se referência a Laredo, o que tanto pode significar Missouri como Texas, mais provavelmente, pela sua importância o segundo estado, mas uma alusão feita a Búfalo Bill, localizando-o a caçar naquela área, deixa alguma dificuldade de interpretação, visto Bufalo Bill ter trabalhado como caçador na constução do caminho de ferro no estado do Kansas. Também não me parece que fosse grande preocupação dos autores referenciar historicamente e geograficamente Tomahawk Tom, tendo em conta os objectivos que pretendiam atingir: divertir e criar emoção nos leitores.
A acompanhar a personagem principal surge Jackie, um adolescente que Tomahawk Tom recolheu numa caravana destruída pelos índios. Jackie também dispara e usa a violência quando é necessário.

Jackie e Tomahawk Tom

Na história O enigma do cavalo preto, Tomahawk Tom cruza-se com Búfalo Bill, de quem era amigo, e que vai a caminho de Forte Laramie.
Tempestade no Dakota Sul surge com expressões em inglês nos balões, com a tradução em rodapé. Inexplicável.

Página de Tempestade no Dakota Sul

Episódios ( que consegui referenciar)
Tomahawk Tom, inicio no Mundo de Aventuras (I) n.º 62 em 19/10/50

O " nascimento" de Tomahawk Tom

Red Tooper, o renegado, Condor n.º 1 em 1/5/51
Colt city, cidade sem lei, Condor n.º3 em 1/7/55; reeditado em Mundo de Aventuras (II) n.º 64 em 1/7/51
Luta sem tréguas, Condor n.º 3 em 1/7/51
O Rodeo de Palma City, inicio no Mundo de Aventuras (I) n.º 106, em 23/8/1951
O espírito de Manitu, inicio em Mundo de Aventuras (I) n.º 143 em 8/5/52; Mundo de Aventuras (II) n.º 104 em 25/9/75
O rapto de Jenny, inicio no Mundo de Aventuras (I) n.º 193 em 23/4/1953
O enigma do cavalo negro, inicio no Mundo de Aventuras (I) 203 em 2/7/53; Mundo de Aventuras (II) n.º 182 em 24/3/1977
O mistério da diligência, Biblioteca do Mundo de Aventuras n.º1 em 18/3/54 ;Vitor Peon Magazine ( especial natal-1975);
Carrer Lee, O Invencível, Audácia 233-244, Sem data de publicação, mas situada muito provavelmente em 1955.

Página de Carrer Lee, o invencível

A estrela de 8 pontas, Jornal do Cuto 26-47 de 29/12/71 a 24/5/72¸Vitor Peon Magazine nº3
Começou no barbeiro, Mundo de Aventuras (II) n.º 78-79 em 27/3/75 e 3/4/75
O rancho do deserto, Vitor Peon Magazine ( especial natal- 1975) Mundo de Aventuras (II) n.º 305 em 9/8/1979
Tomahawk Tom contra Tomahawk Tom, Vitor Peon Magazine ( especial natal-1975)
Tempestade no Dakota Sul, Mundo de Aventuras (II) n.º 228 ,229 em 9/2/78 16/2/78.

Fontes
de Sá, Leonardo; Deus, António Dias de (1997), Os comics em Portugal, Edições Cotovia
Mundo de Aventuras (II) n.º 54, 64, 78, 79, 104, 182, 228, 229, 305
Jornal do Cuto 26-47
Audácia Vol2 n.º 42
http://www.comics-portugal.info/Comics/index.html
http://br.geocities.com/bdnostagia/

domingo, 22 de junho de 2008

Séries de que eu gosto (6) - Cartouche

Saber o que faz alguém gostar de uma BD não é fácil de descrever. Há séries com bons desenhos, séries com bons argumentos e séries de que se gosta. Nem sempre os três factores são cumulativos.
Neste caso estou perante uma situação dessas. Será das séries mais desinteressantes de Eduardo Teixeira Coelho, em que não surgem desenhos excepcionais, alguns até têm qualidade bastante baixa, o argumento é simples e linear, mas é no entanto uma série de aventuras agradável de ler.
A série foi criada para uma revista de formato pequeno, 130x180, que se designava ela própria Cartouche, situação que provavelmente não obrigava a grande pormenores na parte artística, dado o tamanho com que as vinhetas ficavam.
Louis Dominique Cartouche, assim ele se apresenta perante Jehan Gasserin, chefe da milícia, logo no primeiro episódio da série, é um fora-da-lei francês do tipo “rouba aos ricos para dar aos pobres”. O seu quartel-general é em Paris.
Os seus adversários, sobre quem sempre leva sempre a melhor, são:



Croizille, chefe da polícia,



Cardinal, um inspector da polícia,



e o tenente Hector Bragance


Os seus companheiros de luta são:


Robert Garguille, ex-ajudante de procurador,


Gratelard, comediante,

Truber, ferreiro de profissão e cirurgião de alcunha, e


Gros-Cousin, a quem não se conhece qualquer actividade.



São estes quatro elementos que coadjuvam Cartouche na luta contra as injustiças reais.
Refira-se ainda a filha de Croizille, Florette, que tem uma paixão por Cartouche, defendendo-o acaloradamente perante o pai.

A impressão de algumas páginas não é a melhor, com os desenhos a serem pouco nítidos e em outros casos a ficarem com borrões de tinta escura.
Os desenhos de Eduardo Teixeira Coelho estão longe dos seus melhores trabalhos, com um grande descuido em relação ás imagens de fundo nas vinhetas, não existindo qualquer fundo ou então existindo cenários atabalhoados.



Página inicial do 2º episódio na revista Cartouche nº2

Apesar dos maus acabamentos, os desenhos mantêm aquele que é um das melhores atributos de Coelho. A capacidade de revelar sentimentos através dos rostos. Apesar de nesta série as fisionomias serem quase caricaturais para algumas personagens, as emoções que expressam são sempre nítidas e bem desenhadas: o medo, a alegria, a tristeza e a paixão surgem sempre nas faces desenhadas de forma bem explicita.
Esta personagem, Cartouche, é inspirada num bandido francês com o mesmo nome. Na ficção Cartouche vence sempre, na realidade não aconteceu desse modo.


Episódios

Sobre os primeiro sete episódios não há qualquer dúvida. Foram publicados originalmente na revista Cartouche e foram também foram em Portugal.
A partir daí informação que se encontra é divergente.
Mas de acordo com Leonardo de Sá e António Dias de Deus, houve 12 números da revista, com outros tantos episódios.
Mais tarde, outro desenhador terá feitos novos episódios.

Publicados em Portugal.

La coquille d'or, publicado em Cartouche nº1, em Setembro de 1964; A concha de ouro na edição portuguesa, publicada no Mundo de Aventuras 174 de 27 de Janeiro de 1977.

Cartouche s’en mêle, cartouche nº2, Outubro de 1964; Cartouche diverte-se, Mundo de Aventuras nº 193 em 9 de Junho de 1977; Selecções nº 241, Outubro de 1981

Cartouche et le testament, Cartouche nº 3, Novembro de 1964 ; O testamento, Mundo de Aventuras 224, de 12 de Janeiro de 1978

Cartouche ouvre le bal; Cartouche nº 4, Dezembro de 1964; Cartouche abre o baile, Mundo de Aventuras 254 de 10 de Agosto de 1978

Seul contre tous, Cartouche nº 5, Janeiro de 1965; Só contra todos, Mundo de Aventuras 308 de 30 de Agosto de 1979

La tour, prends garde; Cartouche, nº 6 Fevereiro de 1965; Em guarda, la Tour, Mundo de Aventuras 340 de 10 de Abril de 1980

La rose d’Or, Cartouche nº 7, Março de 1965; A moeda de ouro, Mundo de Aventuras 485, de 27 de Janeiro de 1983


Não publicados em Portugal

L’équipée de Montrougue, Cartouche nº 8, Abril de 1965
Royale Picardie, Cartouche nº 9, Maio de 1965


Fontes consultadas
http://fr.wikipedia.org/wiki/Louis_Dominique_Cartouche http://jeunesseetvacances.free.fr/cartouche/index.htm ( imagem das capas cartouche)
Dias de Deus, António; De Sá, Leonardo, (1998), ET Coelho A arte e a vida, Edições Época de Ouro
Mundo de Aventuras ( V série): 174, 193, 224, 254, 308, 340, 485



quarta-feira, 11 de junho de 2008

Séries de que eu gosto (5) - X-9 (3)

Publicação em Portugal

A primeira referência que encontrei foi O Pirilau, que iniciou a publicação de Revolveres silenciosos, a segunda história de X-9, em 4/11/1939. Não sei se será a pioneira, mas sem dúvida que é de realçar que esta publicação tivesse ocorrido apenas 5 anos depois do surgimento da série nos Estados Unidos.
Em 1944 a revista Diabrete também publicou a série seguindo-se o Mundo de Aventuras em 1949.
A série teve um problema, com a proibição pela censura da sua publicação nas revistas de banda desenhada em 1954.
Pela qualidade da impressão, e a vantagem do formato em que foram publicadas, devem referir-se os episódios publicados no Mundo de Aventuras Especial, desenhados por Al Williamsom, assim como alguns no Jornal do Cuto. Há uma revista editada pela Portugal Press , num número único em formato grande, com uma aventura da fase Mel Graff ,que vale a pena ler, com um episódio de excelente argumento.

Capa da revista edidata pela Portugal Press

Não perder também os episódios publicados no Mundo de Aventuras nos primeiros 53 números da V série (ou II como mais tarde foi designada), que embora não sejam beneficiados pela qualidade do papel, ficaram com um tamanho excelente devido ao formato da revista.
A maior parte das histórias foram publicadas no Mundo de Aventuras, com qualidade de impressão variável, mas raramente boa. Algumas foram publicadas com 5 tiras por paginas, todas muito muito próximas umas das outras, situação que não tornava agradável a leitura.
Com falta de vinhetas, com reduções extremas dos desenhos, ou mutilações “criminosas”, surgem alguma publicações em pequeno formato. Na Colecção Acção, um conjunto de cinco revistas só histórias de X-9, na colecção Mistério e nas microscópicas Ciclone e Condor Popular.

Página da revista Condor Popular

Regra geral, as histórias não estão repetidas nas várias publicações.
As repetições ocorrem mais no que se refere aos episódios publicados em álbum. Reedições de histórias saídas nas revistas.
Saindo das revistas e passando para os jornais, X- 9 foi publicado durante quase 50 nos no Jornal de Notícias, que publicou a última tira, datada de 10 de Fevereiro de 1996, no dia 14 de Julho desse mesmo ano .
Em álbuns foram publicados todos os episódios de Alex Raymond pela Edições 70, num conjunto de 7 albuns, e os três primeiros episódios de Al Williamson num álbum da editorial Futura. De lamentar que a publicação feita pelas edições 70 não tenha mantido a forma das tiras.




Lista de revistas onde X-9 foi publicado (possivelmente incompleta)


Acção
Agente Secreto X-9
( número único, editado pela Portugal Press em 1978)
Canguru
Ciclone
( 1ª série)
Condor Popular
Diabrete
Enciclopédia O Mosquito

Êxitos da TV
Herói
Mistério
Morteiro
Mundo de Aventuras
Mundo de Aventuras Especial
Jaguar
Jornal do Cuto
(uma das histórias foi publicada em destacável – Selecções do Jornal do Cuto - e mais tarde editada num único livro com todas as séries publicadas nesse destacável)
O Grilo
O Tico

O Pirilau
Policial
Secreto
Super Grilo

Álbuns
Edições 70 ( 7 volumes- fase de Alex Raymond)
Editorial Futura ( 1 volume)

Jornais
Jornal de notícias

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Séries de que eu gosto (5) - X-9 (2)

A evolução da personagem

Quando apareceu, X-9 era um agente secreto que não se percebia para quem trabalhava e de quem não se conhecia o nome. Apenas se sabia que um grupo de bandidos lhe matara a esposa e o filho. Seria apenas na época dos desenhos de Charles Flanders, no dia 11 de Abril de 1938, que finalmente se desvendou quem era X-9. Foi identificado como agente do FBI.
Os primeiros episódios têm contradições no argumento, com X-9 a actuar por vezes como se fosse uma gente federal e outras como um detective privado. Essas confusões dever-se-ão ao facto de o texto de Dashiell Hammett ter sido reescrito.
Hammet pretendia um detective particular, na senda das suas criações na literatura policial, enquanto que o King Features Syndicate preferiria um agente da autoridade.
O X-9 desenhado por Alex Raymond é um ser solitário que não liga aos meios para atingir os fins, actuando naquilo que se poderiam considerar as margens da legalidade. Os seus casos são de combate a gangsters que actuam isolados ou em grupo.
Os Estados Unidos atravessavam um momento de combate ao crime organizado e a série representava essa vivência.

A década de 30 entrava na recta final, aproximava-se a segunda guerra mundial, e a temática das histórias foi mudando, aproximando-se mais de casos de espionagem, aparecendo como maus os espiões das potências estrangeiras, como sucedeu na primeira aventura desenhada por Austin Briggs, onde é evidente que se pretende apresentar um alemão como o “mau da história”. Estava-se na época da ascensão do regime nazi que viria a desaguar na 2ª guerra mundial.
X- 9 é uma das séries que mais reflecte as orientações políticas do governo americano.
Se já antes da guerra isso se notava, tornou-se mais evidente após o conflito mundial, com o surgimento da guerra fria. É Mel Graff quem, além de colocar X-9 a combater os gangsters locais, o vai situar em casos de espionagem. Só que agora os “maus” são os soviéticos, de forma mais ou menos explícita.

Mell Graff marcou série durante os 20 anos que a desenhou.
Os desenhos eram organizados em tiras de três vinhetas e passou a haver um grande cuidado com os cenários. A acção desenrolava-se sobre planos bem desenhados e não sobre um fundo amorfo e indistinguível.

Tira desenhada por Mel Graff

Outra característica dos desenhos de Graff situava-se ao nível da fisionomia dos bandidos. Graff deslocava-se aos locais que os gansgsters frequentavam de forma a poder recolher os seus traços fisionómicos. Alguns, quando estavam presos, colavam nas paredes das celas as vinhetas em que surgiam retratados.
Graff foi mesmo autorizado a passear pelas prisões para melhor se documentar sobre as fisionomias dos detidos.
Foi também Graff que chamou Phil Corrigan a X-9 e o casou com a escritora Wilda Dorray, que passou a ser personagem actuante em algumas histórias, situação que continuou com o desenhador seguinte

Durante a época de Bob Lewis como desenhador a política americana mudou de rumo, com a intervenção no Vietname, e como não podia deixar de ser X-9 vai combater os comunistas asiáticos.
Aventura na Indochina publicado de 17/9/62 a 1/12/62, Contra o tigre verde publicado de 1/11/65 a 29/1/66 e Missão no Vietnam publicado de 31/1/66 a 2/4/66, são exemplos dessas passagens pelo extremo Oriente. Também o médio oriente vai ver actuar X-9 em O principe Amed, publicado de 4/4/66 a 25/6/66.
Os desenhos de Bob Lewis abandonaram a rudeza das personagens masculinas de Mel Graff, e adquiriram uma leveza e plasticidade que mais nenhum dos desenhadores da série conseguiu transmitir. A eliminação do traço limitador das vinhetas também contribuiu para isso, com os olhos a deslizarem sobre a tira sem cortes, parecendo por vezes que se está assistir a uma sequência cinematográfica. Em cada tira, duas vinhetas não tinham o limite definido por traço, enquanto que a outra o mantinha, embora de forma bastante suave.
As tiras de Lewis têm duas ou três vinhetas, e só muito raramente apenas uma.

Tira desenhada por Bob Lewis

Uma das primeiras medidas da dupla Al Williamson/Archie Goodwin,(ou dos patrões do King Features Syndicate), foi modificar o nome da série para Agente Secreto Phil Corrigan, abandonando a sigla X-9. Este facto deu-se em 1 de Maio de 1967.
No que se refere aos desenhos, Williamson começou por reproduzir os traços fisionómicos de Lewis, mas ainda durante a primeira aventura, o rosto mudou, aproximando-se da personagem criada por Alex Raymond. Mais tarde atribuiu-lhe os seus próprios traços fisionómicos.

X-9 de Williamson, mantendo os traços fisionómicos criados por Lewis


X-9 de Williamson, recriando os traços originais da autoria de Alex Raymond

X-9 na versão final de Williamson

Os rostos suaves e arredondados de Lewis foram substituídos por rostos agressivos, em alguns casos brutais, como que num retorno à época de Mel Graff, no que se refere às personagens secundárias e à de Alex Raymond no que se refere a X-9.
Williamson eliminou quase sempre o traço limitador das vinhetas, aumentando a sensação cinematográfica.

Tiras desenhadas por Williamson onde se "vê" o movimento de rastejar da personagem

Também executou com mais frequência que Lewis vinhetas só com uma tira, situação não muito comum neste tipo de séries norte-americanas, utilizando também planos sobrepostos, o que não é um modelo recorrente nas tiras dos jornais americanos, embora Lewis e até Austin Briggs já o tivessem também executado.
Em termos de conteúdo das histórias Corrigan abandonou a luta anti-comunista. Os seus casos passaram a ser muitas vezes contra organizações terroristas internacionais que traficavam armas, drogas e pessoas.
A partir de determinada altura a série passou a abordar temas do fantástico e da ficção científica. Viagens no tempo e no espaço, contacto com extraterrestres e civilizações perdidas. Grande evolução para quem começou a combater os gansgsters americanos da década de trinta do século vinte.
Outra das características desta fase foi o surgimento de inimigos que se perpetuaram ao longo de vários episódios, como a Tríade e o Dr. Seven.
Também é de referir Karla Kopak, uma personagem que surge numa referência à série Brick Bradford. Karla é filha do Dr. Kopak, uma das personagens da série. Karla participará também em vários episódios.

X-9 em luta contra extra-terrestres