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sábado, 10 de janeiro de 2009

Revistas (1) - Mundo de Aventuras (23)

( do número 365 ao número 502)

E a crise manifestou-se. No número 365 a revista surgiu com menos 16 páginas, 32 , mantendo no entanto o preço. No número 430 subiu para 17$50 e no 464 para 20$00.
Apesar da diminuição do número de páginas, a revista tentou não alterar demasiado a sua política editorial, o que não terá sido fácil, obrigando a seleccionar histórias mais curtas, e a recorrer a material mais barato, neste caso a autores portugueses, alguns ainda em início de carreira.
As páginas dedicadas às diferentes secções de texto tiveram uma drástica redução.
A secção Mistério Policiário, sempre regular até à data, começou a ter imensas falhas de publicação, passando das 3 páginas que por vezes utilizava para apenas meia página em alguma semanas.
Foram também surgindo de forma rareada as secções Miscelânea, Mundo em quadrinhos, Cinematographo, Cinema Insólito, Craaaash, Grandes Figuras da Literatura Popular e de Mistério, e surgiram a Nova Página do Leitor, Notícias da BD e BD Divulgação.


Cabeçalho da rubrica Cinema Insólito
No número 481 teve início o Ficheiro da Banda Desenhada Portuguesa, nas página centrais, com anotações sobre histórias, séries, autores e revistas da banda desenhada portuguesa.
Estas fichas obrigaram a diminuir o número de histórias publicadas nos Clássicos e Modernos da Banda Desenhada.
Apesar da diminuição das páginas disponíveis, continuou a publicação de contos. 38 neste conjunto de revistas. Orlando Marques, Lúcio Cardador, Raul Correia, Tony Freper, Roy West/Jorge Magalhães e Edgar Caygill foram os autores publicados.

Ilustração de Augusto Trigo para um conto de Orlando Marques


O cinema continuou a ser divulgado na revista, com referências a filmes que iam estreando, e alguns passatempos sobre esses mesmos filmes.
A publicação de artigos sobre séries e autores também não foi abandonada, merecendo especial destaque um conjunto textos escritos por José Ruy sobre Eduardo Teixeira Coelho.

Cabeçalho dos artigos sobre Eduardo Teixeira Coelho da autoria de José Ruy

Outros autores portugueses foram também tema de artigos ou protagonistas de entrevistas: Joaquim Oliveira, Augusto Trigo, José Manuel Projecto, Fernandes Silva, Fernando Jorge Costa, Eugénio Silva, Luvi, João Neves, Vassalo Miranda e Estrompa.
Muitas das capas da revista foram desenhadas por Augusto Trigo, embora Fernando Bento, Vítor Peon, Zénetto, Chico Lança e Luís Nunes também tenham a sua assinatura em algumas capas.

Capa desenhada por Fernando Bento

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Efemérides (5) - Cavaleiro Andante

No dia 5 de Janeiro de 1952 surgiu no mercado uma das mais marcantes revistas de publicação de banda desenhada em Portugal.
O Cavaleiro Andante durou 10 anos, terminando em 25 de Agosto 1962.
Fernando Bento, o autor da capa do primeiro número, foi o autor português mais publicado na revista.
Capa do Cavaleiro Andante número 1

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Revistas (1) - Mundo de Aventuras (19)

(Do número 280 ao número 364)

A BD publicada


Nota-se uma pequena vantagem da BD europeia sobre a americana, assim como um ligeiro aumento da BD portuguesa.
Como existe um a ligeira diminuição de histórias publicadas por revista, em termos médios, pode estar-se perante dois fenómenos. Ou se está perante um aumento do número de páginas por história ou perante a diminuição do número de páginas dedicadas à banda desenhada. A diminuição do número de secções de texto indicia a prevalência do primeiro factor.
A partir do número 327 começou a ser publicada em continuação banda desenhada de autores portugueses. Quase sempre reedições, mas também alguns trabalhos inéditos.

BD portuguesa.
Continuou a publicação de autores embrionários em Novos da Banda Desenhada Portuguesa. Foram publicados 11 trabalhos. É evidente, se for feita uma comparação com os primeiros trabalhos publicados, um aumento da qualidade das histórias publicadas, tanto no que se refere aos desenhos como aos argumentos.

Uma pagina de Catherine Labey

A série Simon Crane, de Vítor Peon surgiu apenas num único episódio, no número 325.
Um clássico, O cavaleiro da rainha, da autoria de António Barata, teve a sua publicação no número 326.

Página de O cavaleiro da rainha

No número 327, prolongando-se pelas 4 revistas seguintes, foi publicada uma história desenhada por Fernando Bento, Serpa Pinto, reedição do Diabrete. Infelizmente a história foi publicada incompleta, com menos uma página, para acerto de paginação da revista, sendo só mais tarde, no número 339, que essa falha foi conhecida dos leitores e colmatada.

Págiana de Serpa Pinto

No número 332 foi publicada uma pequena história de Fernando Relvas, autor que tinha tido sucesso na revista Tintin com a personagem O espião Acácio. O povo de ferro, uma história de apenas uma página, do mesmo autor, surgiu no número 362.
Augusto Trigo, um autor pouco conhecido, mas de excelente qualidade, foi apresentado aos leitores do Mundo de Aventuras no número 333 com a história O visitante maldito, que se prolongou até ao número 335.

Extracto de O visitante maldito

Do número 336 ao 339 foi feita mais uma reedição. Da autoria de José Pires, Homens do oeste, publicado originalmente no Cavaleiro Andante.

Homens do oeste


No número 339 foi ainda publicada uma reedição de uma pequena história de Fernando Bento: A abóboda.
Vítor Peon também surgiu com uma reedição no número 340. Uma pequena história intitulada As moedas falsas. Este autor no número 346 teve publicado um pequeno episódio sobre a viagem de Diogo Cão.

Vinheta de A 1ª viagem de Diogo Cão

No número 322, António Carichas publicava O Império das estrelas. O mesmo autor, nos números 343 e 344 reincidiu na ficção científica com Satanella e também em mais dois episódios de Toncari.

Página de Satanella

Ainda no número 344, Luís Nunes apareceu com Alexander Selkirk.
No número 347 mais uma reedição de José Pires com Fumo de pólvora em Gallows Crossing.
Fernando Clemente, um jovem autor, surgiu com duas histórias nos números 352 e 462: A pesca e Carnaval.

Página de A pesca

Artur Correia apareceu com um reedição de D. João e Cebolinha nos números 354 e 355.

Tira de D. João e Cebolinha

No número 358 surgiram 3 autores, todos com reedições. Vítor Peon em A batalha de Aljubarrota, José Antunes em O cavaleiro D. Nuno e José Pires em O último prato de Trenton gant.

Página de O cavaleiro D. Nuno

No número 359 e seguinte a reedição de Palo Quiri, uma história da autoria de José Garcês.
A mensagem, uma velha história desenhada por José Ruy começou a ser publicada no número 364.

Anúncio da publicação de A mensagem

Zénetto, reapareceu com duas histórias. Mais uma história da série Tempos de Apocalipse no número 314 e a história No horizonte da cidade.
Outras duas séries desenhadas por autores portugueses reapareceram. Texas Jack, desenhado por José Garcês, no número 320, e Tomahawk Tom de Vítor Peon no número 305.
Eduardo Teixeira Coelho não poderia deixar de estar presente. Três episódios de Cartouche e dois de Biorn.
O desenhador mais publicado foi Baptista Mendes com 14 histórias, quase todas adaptações de contos ou de excertos de obras literárias.

Vinheta de A lenda de Alfatema de Baptista Mendes

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Revistas (1) - Mundo de Aventuras (14)

Este novo conjunto de textos abordará as revistas publicadas desde o numero 183, de 31/3/77 ao 279, de 8/2/79.
O número 183 além de representar mais um aumento do preço da revista, que passou para 10$00, serviu também para o início do segundo volume de Clássicos da Banda Desenhada e de mais uma história destacável: A dama Eterna , uma adaptação de uma obra literária de H. Ryder Haggard, ilustrada pelo italiano Guido Buzzelli.

Vinheta de A dama eterna

A passagem do tempo foi decorrendo tornou notória a tendência de diminuir as páginas dedicadas às diferentes secções, situação evidente no facto de várias histórias de séries belgas com 44 páginas passarem a ser publicadas apenas num número, situação que nunca ocorrera desde que se iniciara a presente série.
Apesar da diminuição da frequência na publicação das diferentes secções, com excepção de Mistério Policiário, surgiu uma nova secção: Banda desenhada – espaço português, da autoria de Belém Valente, novas séries de Arquivos da banda Desenhada, de Orlando Marques, e um interessante conjunto de apontamentos sobre as origens do cinema português na secção Visor.
No número 268 começou a ser publicado o resumo dos episódios da série Os cinco, que há época passava semanalmente na televisão. No número 276 surgiu a secção Miscelânea.
Continuou a publicação com bastante regularidade de contos. Mantiveram-se os autores que já antes tinham sido publicados, Orlando Marques, Teresa Franco, Roy West, Edgar Caygill, e houve o aparecimento de um novo autor, A . Fresco Pereira ( Tony Freeper). Os ilustradores das narrações foram Zé Netto, António Carichas, Baptista Mendes, António Barata, Vítor Peon e J. Mangericão. Surgiram alguns contos cujas ilustrações não têm o autor identificado.
Alguns dos contos publicados, nomeadamente os da autoria de Orlando Marques ,surgiram com uma extensão até então não usada, ocupando vários números. De salientar D. Sabre , o justiceiro, devido à sua extensão e às muitas ilustrações de António Barata.


Ilustrações de D. Sabre, O justiceiro

No número 196 foi publicado o resultado de um inquérito realizado sobre as preferências dos leitores da revista. As séries classificadas nos vintes primeiros lugares foram , do primeiro para o vigésimo: Fantasma, Rip Kirby, Mandrake, Archie Cash, Garth, Jerry Spring, X-9, Flash Gordon, Paul Foran, Tarzan, Buck Danny, Príncipe Valente, Johnny Hazzard, Korak, Tiger Joe, Dick, o avançado centro, Brick Bradford, Christian Vanel, Big Ben Bolt e Sandokan.
De salientar que das séries das revistas de comics americanas apenas figuram Tarzan e Korak, que as séries belgas publicadas estão todas nestes vinte, e que a preferência vai sem dúvida para as séries americanas provenientes dos jornais.
Mais um aspecto a salientar. A ausência de séries de humor. Leitores mal-humorados.
A revista foi editando de acordo com os gostos dos leitores, dando primazia às séries norte-americanas, seguidas das belgas, embora insistisse também nos autores portugueses.
Foram publicadas entrevistas a vários autores. A Gabi Arnao no número 183, Isabel Lobinho no 188, Carlos Zíngaro no 198, José Garcês no 200, Baptista Mendes no 222, Tito no 230, Artur Correia no 248, Fernando Bento no 258, Victor Mesquita no 272 e José Ruy no 275.
Sobre autores foram publicados vários artigos. No número 184 sobre Frank Robbins, no 186 sobre Guido Buzzelli, nos 192 e 194 sobre José de Lemos, no 216 sobre José Ortiz, nos 228 , 229 e 254 sobre Vitor Peon, nos 234 e 236 sobre Jose Garcês, no 243 sobre Ricardo Neto e no 266 sobre António Barata.

O humor de José de Lemos

Sobre séries, no número 187, Ka-zar; nos 192 e 203, X-9; no 196, Friday Foster; nos 198 e 267, Big Ben Bolt; nos números 208, 220 e 249, Fantasma; no 221, Capitão Kate; no 227, Rip Kirby; no 231, Steve Canyon; no 234, Kerry Drake; no 239, Mandrake; nos 248 e 278, Cisco Kid e no 259 Boinas Verdes.
Como curiosidade fica o facto de os números 196 e 197 terem saído com a numeração trocada.